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Dia das Mães

12 maio

Eu sei que você hoje já leu vários textos sobre como é bom ter/ser mãe. Pelo menos uns 10 já deve ter lido.

Bom, lamento informar, mas este é mais um texto sobre o dia de hoje. Mas fique tranquilo, porque este teto não é para você. Este texto é para mim. É um agradecimento para um ser muito especial na minha vida.

Há 9 meses, a minha vida mudou como eu não imaginava que fosse mudar. Sou exagerada? Ah… mãe é exagerada mesmo! Talvez seja pelo nosso zelo, cuidado.

Quando você chegou, não sabia como te carregar, como falar, como lidar contigo. Lembro da primeira vez que você se escondeu e como fiquei desesperada te procurando num espaço equivalente a uma caixa de sapatos – olha o exagero aí de novo! Também me lembro a primeira vez que você veio pro meu colo e relaxou, como se ali fosse o seu lugar. E realmente é até hoje!

Mães são as que brincam, educam, elogiam, dão bronca, alimentam, limpam xixi e cocô, levam no médico, vibram quando um simples exame de sangue diz que você é super saudável e choram na recepção esperando terminar uma cirurgia. E você, filha, me agradece me dando carinho, pedindo pra brincar, me dando beijinhos durante a noite e se escondendo embaixo da minha saia. Aliás, tem maior significado esse de ser mãe com seu filho embaixo da sua saia?

É, talvez eu seja exagerada. Talvez não. Mas sim, sou mãe, tão nobre quanto você, que gerou o seu na barriga. E quando chegar a hora de gerar o meu na barriga, tenho certeza que esse ser delicioso que Deus e São Chiquinho puseram na minha vida vai dar muito, muito amor ao seu irmão/irmã humano.

Feliz dia das mães pra você, que sabe o que é ser mãe, seja de pessoa, de gato, de cachorro, periquito.

E filha, obrigada por vc ter me escolhido como sua mãe! Te amo!

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O Saco Plástico

6 fev

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Você passa a maior parte do seu tempo longe da sua família. Sempre foi assim. Quer dizer, desde os 3 anos, quando seus pais a matricularam na escolinha. Eles até que não queriam, pois “não tinham vaga” na escola, mas aí…:
– Mamãe, o que é uma vaga? – pergunta a inocente garotinha.
– Filha, vaga é uma cadeirinha que eles colocam para os alunos se sentarem, pois ninguém pode ficar em pé – respondeu a mãe, tentando um exemplo o mais semelhante possível para que a animada garotinha pudesse entender que só poderia saber o que é escolinha daqui a 6 meses.

Então, a garotinha se vira para a senhora da escola e diz:
– Moça, eu tenho várias cadeirinhas lá em casa, inclusive um branquinho, ele se chama xipe. Posso trazer todos os dias até você conseguir uma cadeirinha pra mim!

E assim começou a sua vida longe de casa. Só que você não percebia. Você foi crescendo e cada vez estava mais longe. As aulas, antes só de manhã, passaram a ser integrais. E você, de saco cheio de ver sua mãe no jantar, perguntando como foi o seu dia. “Ai que saaaco” disse a rebelde adolescente.

Depois veio a faculdade, o estágio, o namorado, as festinhas, as viagens, o trabalho e o casamento.

Você virou adulta num piscar de olhos. E tudo, tudo o que mais queria, era uma panela de brigadeiro vendo sessão da tarde no sofá. Ou o colo da sua mãe. Ah, que saudade de ficar às tardes com a sua mãe…

Uma vez leu uma frase e ficou intrigada. Ela dizia: “cuidado com o que você quer, pois você pode conseguir”. Isso é bom ou ruim? E se conseguir, como vou fazer? Se era tudo o que eu mais queria, como não sei a forma de conduzir?

Há um vazio por dentro. O vazio é tão grande que você começa a olhar ao seu redor e achar que está tudo perdido, vazio, sem conteúdo. Tudo parou de fazer sentido, e você se sente perdida, como um saco plástico, voando por aí. E sua nova vontade passa a ser algo que esteja dentro do saco plástico e que possa te levar pra bem longe, um lugar onde essa angústia não exista.

Para onde vão os sacos plásticos? Deverei esperar 100 anos até esta dor se decompor que nem ele?

Força de vontade: deveriam vender em potes de vidros, bem bonitos, ao lado da sessão do açúcar no supermercado. Ou ao lado da vitamina C, na farmácia. Para quem nunca viveu sem, a sensação é a mesma: impossível entender a dor de quem não a possui.

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